Stripped

terça-feira, outubro 31, 2006

Noite Longa

E aqui estou eu... mais uma noite que passa por mim e me perturba... é incrivel como a noite pode chegar até nós e ferir-nos como uma faca que mata, uma faca que testemunha o mais temível dos crimes nocturnos. É verdade... é à noite que me deixo levar por uma nostalgia e por uma sensação de vazio que incomoda. Talvez seja a escuridão, talvez seja o silêncio. Talvez... Talvez seja a escuridão silenciosa que percorre a minha alma neste instante... E neste pequeno instante em que a memória me atraiçoa com lembranças inoportunas, sinto uma necessidade extrema de abandonar este local, partir em direcção daquela melodia que me cativa e me chama, daquela doce canção que me embalaria no mais profundo dos sonos e, depois de me acariciar com o mais belo dos sonhos, me traria de volta... de volta à escuridão... mas a uma escuridão desejada, uma escuridão radiante, uma escuridão quente que me iluminaria e me guardaria nas sombras da noite... E o tempo continuaria a perseguir-me com o vazio de um dia igual ao outro e ao outro e outro...

segunda-feira, outubro 30, 2006

Hoje sonhei...

Caminhava sozinha num deserto ardente, perdida em ilusões trazidas pelo calor imenso que me fazia delirar. Não sei como fui lá parar, de onde vinha, para onde ía... Sem saber o propósito daquela angustiante viagem, um vulto ao longe acenou... Não conseguia distinguir quem era... ainda vinha distante. Porém, a alegria de partilhar a presença de alguém, mesmo que a de um desconhecido, fez-me acelerar o passo. Caminhei o mais depressa que o meu corpo rastejante permitiu... Então o vulto tornou-se mais nítido, cada vez mais nítido... Não podia acreditar... Aquele vulto que avistara e desejava alcançar e tocar mais do que a um oásis onde a sede perturbante que sentia podia ser saciada era alguém conhecido... Alguém que me fez sorrir carinhosamente no mesmo instante em que me apercebera que esse vulto... Que esse vulto... Eras tu! Sim, eras tu! Corri na tua direcção, gastei as últimas forças que me restavam e corri para ti... Mas quando já quase sentia a tua pele, o teu perfume, o teu respirar... tu desapareceste como uma nuvem de fumo. Quis tocar-te mas já não estavas lá...Foste uma ilusão... Um delirio no deserto! Não passaste de uma visão alegre e fresca num deserto inóspito e quente! Porque é que a minha imaginação voou até ti? Porque é que num deserto abrasador fui imaginar-te ao pé de mim? Porque é que não vislumbrei um lago de água pura e cristalina quando tudo o que eu mais queria era matar a minha sede? Talvez a resposta não seja assim tão óbvia para ti... Talvez a resposta a este enigma não se encontre nos livros que idolatras e nesse teu mundo onde te refugias e te tornas tão frio. Talvez a resposta esteja num lugar onde só aqueles que se apaixonam, amam e se entregam a outra pessoa conseguem entrar e perceber o seu valor... A resposta é óbvia e só tu não entendes... Eu não tinha sede de água... Não, não era essa sede que me apoquentava a alma... Tinha uma sede diferente... Tinha sede de ti! Mas tu desapareceste quando mais necessitava de ti... desapareceste e deixaste-me morrer à sede no deserto da vida...

sábado, outubro 28, 2006

Mais perto de ti

Olho o céu à espera de ver a mesma estrela que vês...
Procuro encontrar alguém que te tenha visto...
Escuto o vento à espera de uma mensagem tua...
Estranho pensar que não te vejo há tanto tempo
E o que mais quero é ficar assim, mais perto de ti...

Depeche Mode Weekend


A VH1 dedica este fim de semana a sua programação aos (grandes) Depeche Mode.

Sábado: das 13:00 às 16:30
Domingo: das 13:00 às 15:00
das 16:00 às 17:00

: ) Bom fim de semana

sábado, outubro 21, 2006

Now... You are just an Echo

quarta-feira, outubro 18, 2006

Um Pouco de Céu

Só hoje senti
Que o rumo a seguir
Levava pra longe
Senti que este chão
Já não tinha espaço
Pra tudo o que foge
Não sei o motivo pra ir
Só sei que não posso ficar
Não sei o que vem a seguir
Mas quero procurar
E hoje deixei
De tentar erguer
Os planos de sempre
Aqueles que são
Pra outro amanhã
Que há-de ser diferente
Não quero levar o que dei
Talvez nem sequer o que é meu
É que hoje parece bastar
Um pouco de céu
Um pouco de céu
Só hoje esperei
Já sem desespero
Que a noite caísse
Nenhuma palavra
Foi hoje diferente
Do que já se disse
E há qualquer coisa a nascer
Bem dentro no fundo de mim
E há uma força a vencer
Qualquer outro fim
Não quero levar o que dei
Talvez nem sequer o que é meu
É que hoje parece bastar
Um pouco de céu


Mafalda Veiga

segunda-feira, outubro 09, 2006

Fui ao Zoo...

Ontem, estava meio deprimida e como estavam de folga, "peguei" nos meus Papis e fomos ao Zoo. Enfim... mais valia ter ficado em casa a ver um filme. Os bilhetes são carissimos, tendo em conta as condições que os bichinhos usufrem... alguns acho que nem se lembram que são seres vivos. Mais parecem Robots... Quem me conhece sabe a minha dedicação aos animais... e é verdade que se não fosse o zoo nunca veria tanta variedade de especies...mas aquilo deprime até o ser mais impenetrável. Será que nos "zoos" de outros países a cena triste é a mesma...?
Pensei num projecto, que quando for rica vou concretizar... O que acham da ideia de recolher os animais da rua ( que são milhares) e oferecer-lhes boas condições... no mesmo espirito acolher crianças desfavorecidas mas mais no âmbito de tempos livres e , por último, idosos que, infelizmente, são muitas vezes esquecidos pelas familias. Cada animal teria uma criança ou um idoso que seria responsável pela sua alimentação e "educação". Acho que todos ficariam um pouco mais felizes...
Ainda é uma ideia embrionária... mas o que vos parece?

sexta-feira, outubro 06, 2006

Sem Marcha Atrás

O tempo que a gente perde pela vida a correr
O tempo que a gente sonha que é chegar e vencer
O tempo faz de nós um copo p’ra beber em paz
O tempo é um momento para nunca mais
O tempo mesmo agora fez a terra girar
O tempo sem demora traz as ondas do mar
O tempo que se inventa quando nunca se é capaz
O tempo é um carro novo sem a marcha-atrás
Voei p’ra te dizer
Sonhei p’ra te esquecer
Eu sei não vais parar para eu crescer
Eu sei esperei demais

Quem escreveu estas palavras sábias foi o Miguel Majer... mas quem as interpreta como ninguém é a Marisa Pinto, ambos Donna Maria.
Vidrei particularmente na frase " O tempo é um carro novo sem a marcha-atrás"

domingo, outubro 01, 2006

Desencontros e reencontros

Ela tinha 14 anos... ele tb! Decorria o mês de Agosto e ambos estavam de férias na mesma praia algarvia. Tinham a pele dourada do sol e os seus corpos eram perfeitos. Estavam na idade das descobertas e as hormonas a falar mais alto. Várias foram as vezes que os seus olhares se cruzaram à beira-mar ... mas o primeiro passo estava difícil de dar. O ambiente era perfeito... o sol começara a repousar no mar e a luz tornara-se inebriantemente bela. Apesar da timidez, a jovem mulher aproximou-se dele e com um sorriso inocente perguntou-lhe se o podia conhecer. Ele respondeu que já se conheciam... Juntos viveram momentos intensamente inesquecíveis. Sentiam-se um do outro e muitas vezes falavam apenas com o olhar. Mas o primeiro beijo de ambos não chegou a acontecer e até ao duro dia da separação assim permaneceram. Trocaram moradas e juras de amor mas a idade era de descoberta e acabaram por perder-se um do outro. Nunca mais se viram apesar de nunca terem esquecido a importância dos momentos que partilharam.

12 anos depois ela recebe um email inesperado... era ele. “Olá T... abri a minha caixinha de recordações reli a tua carta e decidi procurar-te.... agora ... será que ainda te lembras de mim??” Claro que se lembrava... Ele foi a sua primeira paixão... No entanto estava a passar pela pior fase da sua vida... Alguém que ela amava mais que tudo a tinha magoado como nunca niguém o fizera e retraiu-se com medo de se magoar ainda mais... Voltou atrás depois de pensar que não tinha nada a perder... Esse amor já estava mesmo perdido e gasto.

No dia seguinte encontraram-se... E a magia daquele pôr-do-sol distante repetiu-se. A enorme cumplicidade entre os dois não morrera com o tempo. A força da atracção era evidente e a chama daquela paixão imatura tornara-se ainda mais forte e o beijo que esperara 12 anos acabou por acontecer. Enamoraram-se, e durante horas esqueceram o mundo que os rodeava e entregaram-se com a doçura de uma meninice distante e o desejo ardente da maturidade.

Ela ainda não esqueceu a dor que sente... mas esse passado já cheira a mofo e a forma fria com que a pessoa que ama a tratou faz com que não olhe mais para trás. Ainda anseia pelo seu regresso... mas sabe que esse dia nunca vai chegar.

Mas agradece ao tão actual Hi5 ter proporcionado este mágico reencontro que a fez sentir tão viva, tão Mulher. O brilho no olhar e o sorriso já fazem parte do seu rosto de novo.