Stripped

segunda-feira, outubro 30, 2006

Hoje sonhei...

Caminhava sozinha num deserto ardente, perdida em ilusões trazidas pelo calor imenso que me fazia delirar. Não sei como fui lá parar, de onde vinha, para onde ía... Sem saber o propósito daquela angustiante viagem, um vulto ao longe acenou... Não conseguia distinguir quem era... ainda vinha distante. Porém, a alegria de partilhar a presença de alguém, mesmo que a de um desconhecido, fez-me acelerar o passo. Caminhei o mais depressa que o meu corpo rastejante permitiu... Então o vulto tornou-se mais nítido, cada vez mais nítido... Não podia acreditar... Aquele vulto que avistara e desejava alcançar e tocar mais do que a um oásis onde a sede perturbante que sentia podia ser saciada era alguém conhecido... Alguém que me fez sorrir carinhosamente no mesmo instante em que me apercebera que esse vulto... Que esse vulto... Eras tu! Sim, eras tu! Corri na tua direcção, gastei as últimas forças que me restavam e corri para ti... Mas quando já quase sentia a tua pele, o teu perfume, o teu respirar... tu desapareceste como uma nuvem de fumo. Quis tocar-te mas já não estavas lá...Foste uma ilusão... Um delirio no deserto! Não passaste de uma visão alegre e fresca num deserto inóspito e quente! Porque é que a minha imaginação voou até ti? Porque é que num deserto abrasador fui imaginar-te ao pé de mim? Porque é que não vislumbrei um lago de água pura e cristalina quando tudo o que eu mais queria era matar a minha sede? Talvez a resposta não seja assim tão óbvia para ti... Talvez a resposta a este enigma não se encontre nos livros que idolatras e nesse teu mundo onde te refugias e te tornas tão frio. Talvez a resposta esteja num lugar onde só aqueles que se apaixonam, amam e se entregam a outra pessoa conseguem entrar e perceber o seu valor... A resposta é óbvia e só tu não entendes... Eu não tinha sede de água... Não, não era essa sede que me apoquentava a alma... Tinha uma sede diferente... Tinha sede de ti! Mas tu desapareceste quando mais necessitava de ti... desapareceste e deixaste-me morrer à sede no deserto da vida...

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